O fim é o começo, e o começo é o fim
- Eduardo Monteiro de Sá
- há 7 dias
- 5 min de leitura

(Para quem já assistiu à série Dark, a frase é familiar - Der Anfang ist das Ende und das Ende ist der Anfang.)
Seu sentido é poderoso: passado, presente e futuro se entrelaçam. O fim de um evento nunca é apenas um encerramento, ele funciona como gatilho para algo novo. O tempo não é linear; é um sistema de relações, decisões e consequências que se retroalimentam.
Como futurista, gosto muito desse olhar. E ele sintetiza bem o que foi 2025 e o que começa a se desenhar para 2026.
2025 como ano de transição sistêmica
Fora da ficção, 2025 também carregou esse mesmo caráter de transição no mundo real. Não foi um ano marcado por um único grande evento, mas por uma sequência de encerramentos simbólicos e estruturais que, juntos, reforçaram a sensação de fim de ciclo.
No campo institucional e cultural, o ano foi atravessado pela morte do Papa Francisco. Independentemente de crenças religiosas, sua figura simbolizava uma tentativa de atualização ética da Igreja diante de um mundo mais diverso, desigual e complexo. Sua morte não representou apenas a perda de um líder religioso, mas o encerramento de um ciclo de diálogo entre tradição e contemporaneidade, reacendendo debates sobre o futuro das instituições milenares em um mundo cada vez mais fragmentado.
Na economia, o cenário global seguiu crescendo em torno de 3%, mas em um ritmo mais cauteloso. A inflação ainda presente, margens de erro menores e maior sensibilidade a risco mudaram o comportamento das empresas e dos consumidores. O consumo permaneceu ativo, porém mais seletivo: valor, conveniência e confiança passaram a guiar decisões de compra de forma mais clara.
Trabalho, tecnologia e limites humanos
No mundo do trabalho, relatórios globais mostraram níveis historicamente baixos de engajamento: apenas cerca de 20% dos trabalhadores globalmente se declaram engajados. A produtividade seguiu pressionada por exaustão, sobrecarga e estresse financeiro, ao mesmo tempo em que as organizações aceleraram automação e programas de requalificação. A promessa de “fazer mais com menos” encontrou, em 2025, seu limite humano.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial deixou definitivamente de ser experimento. Em 2025, a IA se consolidou como infraestrutura. Mais de 70% das organizações já utilizam IA de alguma forma, bilhões de dólares foram investidos e ganhos reais de eficiência começaram a aparecer, especialmente entre quem aprendeu a usar a tecnologia como amplificadora de capacidades, e não como substituta automática de pessoas.
Esse avanço trouxe resultados, mas também desconforto. O debate deixou de ser “se” a IA transforma o trabalho e passou a ser “como” e com quais limites.
O clima como protagonista
2025 entrou para a lista dos anos mais quentes já registrados, com eventos extremos causando perdas econômicas da ordem de centenas de bilhões de dólares. O futuro climático deixou de ser projeção e passou a ser experiência cotidiana.
Fadiga como sinal de encerramento
Nada disso aponta para um colapso imediato. Mas tudo aponta para fadiga sistêmica.
E fadiga, muitas vezes, é o sinal mais honesto de que um ciclo está se encerrando.
A virada de lente
Uma das coisas que aprendi em 2025 foi olhar além do factual. Mesmo sendo um cético convicto, passei a valorizar mais a imaginação como ferramenta estratégica. Não como crença, mas como linguagem.
A imaginação ajuda a organizar o caos, criar sentido e orientar escolhas em momentos de transição, quando os dados mostram o que está acontecendo, mas não necessariamente o que fazer a seguir.
2025 e 2026: encerrar para começar
Nesse sentido, o simbolismo dos ciclos ajuda a dar forma ao momento.
2025 carrega a energia do número 9: conclusão, colheita, desapego.
2026 inaugura simbolicamente a energia do número 1: identidade, liderança consciente, criação intencional.
Não como determinismo, mas temos um convite à imaginação e ação.
Encerrar o que já não funciona. Preservar o aprendizado acumulado. E iniciar o novo com mais método, responsabilidade e clareza de intenção.
O que termina em 2025 não desaparece. Ele se transforma e prepara o terreno para o que começa agora em 2026.
E o Eduardo?
Pessoalmente, 2025 foi um ano de trabalhos intensos e valiosos. Um ano de aprendizado profundo, crescimento e amadurecimento. Atuei em diferentes frentes: comunicação, investimento, educação, foresight, ecossistemas de inovação e pesquisa acadêmica, sempre ao lado de pessoas extremamente competentes e generosas.
Para dar materialidade a esse ciclo que se encerra, resolvi sintetizar em números algumas das ações e projetos dos quais participei ao longo do ano:
W1 | Comunicação digital
Ao longo do ano, atuamos na comunicação digital de mais de 30 empresas, de diferentes segmentos, com foco em comunicação estratégica constante, sempre com o olhar no fortalecimento da marca ao longo do tempo. (ainda não sou adepto do growth, mas eu chego lá)
Crescimento médio entre todos os clientes:
Seguidores: +52%
Engajamento: +122%
Alcance: +972%
R$ 15.083,42 investidos em mídia (investimento significativamente baixo, mas com grande retorno)
Mais de 60% dos resultados vieram de forma orgânica, mostrando que estratégia precede investimento.
InvestPlus | Capital e Investimento
A InvestPlus avançou de forma consistente na consolidação da base de investidores e na estruturação de ofertas, para mim uma sala de aula diária, aprendizado enorme (pessoal e profissional)
Base de investidores: 305 → 720 cadastrados (+136%)
14 ofertas estruturadas
+ R$ 16 milhões em volume financeiro captado
Lançamento mercado subsequente
Crescimento sustentado, diversificação de veículos e amadurecimento da plataforma.
Minas Summit | Ecossistemas de inovação em ação
O evento consolidou-se como um dos maiores encontros de inovação do país, fui muito feliz de poder ajudar nessa construção e vivenciar uma das melhores lideranças que já tive na minha vida profissional.
7 palcos simultâneos
+13.000 participantes
289 participações qualificadas (speakers, lideranças, investidores e convidados)
143 atividades realizadas (palestras, painéis, workshops, pitches, hackathons e trilhas temáticas)
Um evento que conectou ciência, tecnologia, negócios, impacto social e futuro, em escala nacional.
TTF Brasil - Construção de novos futuros.
Em 2025, o Teach the Future Brasil ampliou significativamente seu alcance e relevância no ecossistema de futuros, foi um ano de muita ação prática, muita gente excepcional envolvida e a certeza de um caminho lindo pela frente.
+30 marcas parceiras
+100 pessoas parceiras
+60.000 pessoas impactadas
35 eventos, ações e participações nacionais e internacionais
Crescimento digital:
Seguidores: +108,7%
Engajamento: +374.000%
Alcance: +51.817%
Atividades no perfil: +1.261,9%
Educação orientada ao futuro, impacto em rede e construção coletiva de capacidades antecipatórias.
Anzol de Ouro | Shark Tank Brasil
Jà no fim de 2025, fui convidado para ser head executivo do projeto, uma experiência gigante na estruturação de um projeto único e midiático, com todo o apoio de uma equipe de extrema capacidade e uma liderança altamente empática.
Estruturação e desenvolvimento de startups e novos negócios
Conexão entre corporates, investidores e empreendedores
Aplicação prática de inovação aberta, corporate venture e estratégia
Preparação de startups para escala, governança e captação
Uma ponte concreta entre ideia, mercado e investimento.
Gestão de projetos - USP
E ainda deu tempo de finalizar mais uma pós, onde desenvolvi meu TCC com o tema: “A Sinergia entre Foresight e Gestão de Projetos”
Ufa... acabou o ano.
Resumindo: O futuro não começa quando tudo está pronto. Ele começa quando decidimos não repetir o que já não funciona.
Que venha 2026, feliz ano novo a todos!



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